Volume
Rádio Offline
Redes
Sociais
Obras de Marcello Tupynambá são homenageadas em álbum digital lançado pelo Selo Sesc
03/09/2020 10:45 em Música
Pluralidade do compositor brasileiro é resgatada em versões de André Mehmari, Hercules Gomes, Roberto Corrêa, Fabiana Cozza e outros grandes intérpretes; plataforma Sesc Digital antecipa São Paulo Futuro no dia 4 de setembro

Para imprensa: fotos de divulgação, capa do disco e ouvir as músicas clique aqui

Poucas são as gravações existentes, hoje, aos novos olhares e ouvidos de quem um dia foi Marcello Tupynambá (1889-1953). Das mais de 300 obras compostas pelo compositor de Tietê, cidade do interior de São Paulo, parte segue espalhada por sebos; por registros em vídeos produzidos pelo pesquisador e diretor do Instituto Piano Brasileiro (IPB), Alexandre Dias; ou em acervos históricos, como é o caso do violino e partituras do artista, que são mantidos pelo Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP) e acessíveis pelo Acervo Digital Marcello Tupynambá. Outra parte, até então, permanece na memória afetiva e musical de intérpretes, fãs e apreciadores da edificação das peças do autor.

Filho de músicos portugueses, engenheiro formado pela Politécnica da USP, crítico musical e radialista, o célebre compositor nacional segue como referência às melodias do modernismo paulista e às canções com refrão e estrofes - algo não tão comum à época. Os versos das canções criadas por Tupynambá se destacam por terem sido escritos pelos poetas Afonso Schmidt, Alphonsus de Guimaraens, Amadeu Amaral, Castello Netto, Guilherme de Almeida, Homero Prates, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Olegário Mariano, entre outros escritores e alguns representantes da Semana de Arte Moderna de 1922.

O maxixe São Paulo Futuro (1914), faixa-título do álbum digital lançado pelo Selo Sesc, é apontado como marco inicial na carreira do artista. Por causa da repercussão desta obra, o músico adotou o nome de Tupynambá, pseudônimo de Fernando Álvares Lobo. Disponível a partir de 4 de setembro no Sesc Digital e 9 de setembro nas plataformas de streaming, o disco traz releituras de: Fabiana Cozza, Toninho Ferragutti, André Mehmari, Roberto Corrêa, Henrique Cazes, Toninho Carrasqueira, Theo de Barros, Cacilda Mehmari, Dudu Alves, Nailor Proveta, Karina Ninni, Valdo Gonzaga e Hercules Gomes.

Em comemoração aos 131 anos de nascimento do compositor, o diretor musical do CD, J.C. Botteselli, o Pelão, conta que Marcello Tupynambá sempre atuou para o reconhecimento e valorização da arte popular brasileira. "Tupynambá preocupava-se com a música regional, por exemplo: as modas e toadas do interior, com melodias simples e letras inspiradas em assuntos do cotidiano, eram absorvidas e recriadas pelo compositor em versão para voz e piano. Por atuar em diversos campos artísticos, Marcello Tupynambá deve ser considerado um legítimo representante da consolidação da canção brasileira como música nacional por excelência", afirma.

"O objetivo do disco, cujo destaque está na escolha do repertório e liberdade de interpretação, é contribuir para que Tupynambá seja reposicionado na história da música brasileira ao lado de Pixinguinha, Ernesto Nazareth e Chiquinha Gonzaga como também fundador da nossa música nacional", explica Marcelo Tupinambá Leandro, musicólogo, bisneto do compositor e idealizador do projeto.

Com repertório de 11 faixas e versos de Mário de Andrade e Arlindo Leal, o álbum São Paulo Futuro, a música de Marcello Tupynambá, insere-se no compromisso do Selo Sesc de resgatar e preservar composições perdidas pelo tempo, cujas melodias fazem parte da história da cultura do país.

Repertório do álbum

• Canção Marinha - Fabiana Cozza (canto) e Toninho Ferragutti (acordeon)
Versos de Mário de Andrade e música de Marcello Tupynambá

• São Paulo Futuro - André Mehmari (piano)

• Viola Cantadêra - Roberto Corrêa (canto e viola)
Versos de Arlindo Leal e música de Marcello Tupynambá

• Sereno - Henrique Cazes (cavaquinho)

• Tristeza de Caboclo - Toninho Carrasqueira (flautas em sol e flauta baixo)

• Canção da Guitarra - Theo de Barros (violão 7 cordas)
Música de Marcello Tupynambá e Aplecina do Carmo

• Alma em Flor - Cacilda Mehmari (acordeon) e André Mehmari (piano)

• Sou Batuta - Dudu Alves (piano)

• Maricota, Sae da Chuva - Nailor Proveta (clarone e clarinete)

• Trigueira - Karina Ninni (canto) e Valdo Gonzaga (violão)
Versos de Arlindo Leal e música de Marcello Tupynambá

• Coração - Hercules Gomes (piano)
Música de Marcello Tupynambá e Ariovaldo Pires

Ficha Técnica

Produção e concepção de projeto: Marcello Tupinambá Leandro
Direção musical: J.C. Botteselli (Pelão)
Coordenação de estúdio: Shen Ribeiro
Projeto gráfico: Alexandre Calderero
Técnico de gravação: Carlos (KK) Akamine

Álbum gravado entre os meses de fevereiro e novembro de 2019 (exceto as faixas São Paulo Futuro, gravada no Estúdio Monteverdi, SP, em dezembro de 2018; Viola Cantadêra, gravada no Zen Studios, DF, em novembro de 2018; Sereno, gravada no Ecosom Studios, RJ, em outubro de 2018; Tristeza de Caboclo, gravada no estúdio da ECA-USP, SP, em janeiro de 2019; Alma em flor, gravada no Estúdio Monteverdi, SP, em dezembro de 2018; e Sou Batuta, gravada no estúdio Carranca, PE, em dezembro de 2018).

Sobre o artista

Marcello Tupynambá - na grafia moderna Marcelo Tupinambá - nasceu em 1889, em Tietê, interior de São Paulo. Pertencente à uma família de músicos, seu tio foi o conhecido compositor Elias Álvares Lobo, autor da primeira ópera encenada no Brasil com versos em português. Aprendeu a tocar piano sozinho e, aos 15 anos, excursionou por cidades interioranas para acompanhar com piano o flautista Patápio Silva. Tocou ao lado do flautista João Dias Carrasqueira, foi aluno de violino de Savino De Benedictis e improvisou músicas sacras no órgão da igreja de Santa Cecília, em São Paulo. Formou-se em engenharia civil pela USP, casou-se, teve sete filhos, entre os quais, Cecília Menezes Lobo. Também pianista, ela o ajudou a escrever músicas em partituras, após doença que o acometeu e quase o fez perder completamente a visão, em 1953. As canções de Marcello Tupynambá, escritas entre as décadas de 1910 e 1950, devem ser consideradas pertencentes ao espírito revolucionário da Semana de Arte Moderna de 1922. O compositor sempre procurou modernizar o repertório vigente, mediando aspectos da cultura popular brasileira à seleção de músicas tocadas naquele início do século XX. Foi parceiro de criação de Mário de Andrade e teve reconhecimento ao lado de Ernesto Nazareth, Souza Lima, Fructuoso Vianna, Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha. Escreveu trilhas sonoras; teve composições como parte de teatro musicado; esteve à frente das pioneiras lutas por direitos autorias; e compôs as marchas revolucionárias. Em um de seus últimos trabalhos, figura o Hino da Televisão Brasileira, com letra de Guilherme de Almeida, encomendada pelo jornalista Assis Chateaubriand para inaugurar a primeira transmissão de uma emissora de televisão nacional, a TV Tupi de São Paulo, em 18 de setembro de 1950.

Selo Sesc

Criado há 16 anos, o Selo Sesc tem o objetivo de registrar a amplitude da produção artística brasileira construindo um acervo pontuado por obras de variados estilos, épocas e linguagens. Recentemente, foram lançados exclusivamente no mercado digital os álbuns da série Sessões Selo Sesc: #6: Rakta + Deafkids, #7: João Donato + Projeto Coisa Fina, #8 Toada Improvisada - Jackson do Pandeiro 100 Anos e #9 ...And You Will Know Us by the Trail of Dead. O CD-livro São Paulo: paisagens sonoras (1830-1880) da pesquisadora e cantora Anna Maria Kieffer; o DVD Exército dos Metais, da série O Som da Orquestra; e os CDs com versões físicas e digitais O Romantismo de Henrique Oswald (José Eduardo Martins e Paul Klinck), Dança do Tempo (Teco Cardoso, Swami Jr. e BB Kramer), Espelho (Cristovão Bastos e Maury Buchala), Eduardo Gudin e Léla SimõesRecuerdos (Tetê Espíndola, Alzira E e Ney Matogrosso), Música Para Cordas (André Mehmari), Estradar (Verlucia Nogueira e Tiago Fusco), Tia Amélia Para Sempre (Hercules Gomes), Gbó (Sapopemba), Acorda Amor (Letrux, Liniker, Luedji Luna, Maria Gadú e Xênia França), Copacabana - um mergulho nos amores fracassados (Zuza Homem de Mello), Tio Gê - O Samba Paulista de Geraldo Filme (vários artistas), o tríptico "Imaginário Sonoro Brasileiro" do Grupo ANIMA, composto pelos álbuns Donzela Guerreira, Encantaria e Mar Anterior. Além disso, seus mais recentes lançamentos de 2020: Nana, Tom, Vinicius, de Nana Caymmi; Olorum, de Mateus Aleluia; e 7 CAMINOS, do violonista Emiliano Castro, foram disponibilizados temporariamente apenas nas plataformas digitais.

+ Sesc na quarentena

Durante o período de distanciamento social, em que as unidades do Sesc no estado de São Paulo permanecem fechadas para evitar a propagação do novo coronavírus, um conjunto de iniciativas garantem a continuidade de sua ação sociocultural nas diversas áreas em que atua. Pelos canais digitais e redes sociais, o público pode acompanhar o andamento dessas ações e ter acesso a conteúdos exclusivos de forma gratuita e irrestrita. Confira a programação e fique #EmCasaComSesc.

+ Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado.

Saiba +: Sesc Digital

Serviço

Lançamento do álbum São Paulo Futuro, a música de Marcello Tupynambá

A partir de 4/9 no Sesc Digital
A partir de 9/9 nas plataformas de streaming

Selo Sesc nas redes

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!